sábado, 15 de agosto de 2009

Taró e Cabala...Arcanos Maiores e Menores...

Os Arcanos Menores em sua totalidade desenrolam o esquema Iod-He-Vau-He no mundo da criação das formas, da Humanidade ainda não decaida. Para esta Humanidade, a realização da Grande Obra era uma tarefa natural, um labor normal e costumeiro; um trabalho consciosamente realizado em todas as suas fases. Os Arcanos Maiores, pelo contrário, são relatos e mostram o caminho do Homem decaido que somente com o suor da testa, purificando sua concepção do mundo e transformando-se a sí mesmo, pode voltar à lei Iod-He-Vau-He, que para ele se tornara obscura.

Os Arcanos Menores são metafísicamente mais puros que os Arcanos Maiores e podem ser compreendidos matemáticamente de maneira mais fácil que estes últimos, pois sua estrutura possui uma dependencia funcional bastante clara e precisa.
De forma resumida pode-se dizer que nos Arcanos Menores, o clichê Iod-He-Vau-He se desenvolve corretamente e que nos Arcanos Maiores este desenvolvimento apresenta uma imagem confusa, deformada, adaptada ao mundo das
ilusões e da compreensão limitada.

OS ARCANOS MENORES

As 56 cartas que compõem os Arcanos Menores, dividem-se em quatro NAIPES:

. PAUS simbolizando o IOD
. COPAS simbolizando o primeiro HE
. ESPADAS simbolizando o VAU
. OUROS simbolizando o segundo HE

RELAÇÃO ENTRE OS QUATRO NAIPES E AS QUATRO PESSOAS DA PRIMEIRA FAMÍLIA - (Família Transcendental)

PAUS - Corresponde à influência do IOD Superior - o Amor Transcendental.
Esta influência reflete-se em todas as Sephiras da Segunda Família.
A análise abaixo refere-se apenas ao reflexo na Sephira HOCKMAH, onde, antes da queda permaneciam nossas almas, formando a síntese da Humanidade - o Homem Universal.

Paus portanto corresponde ao Amor Ativo, descendente que fecunda com sua radiação. Este Amor é o primeiro impulso para qualquer começo, no sistema individualizado, fechado. Em Hockmah ele é o impulso inicial das almas em qualquer direção.

COPAS - Corresponde ao reflexo do primeiro HE - a Vida Transcendental, o Amor Superior, ascendente, atrativo.

ESPADAS - Corresponde ao reflexo de VAU, a influência do LOGOS, o Amor Andrógino que cria a nova vida de modo análogo ao seu nascimento.
VAU provém da união do Amor Ativo com o Amor Passivo emanados do Ponto sôbre o IOD, pela sua polarização. VAU torna-se assim o Arquiteto do Universo e ESPADAS a transmissão do Logos da Vida da Mãe, pelo poder do Amor, Amor este semelhante ao do Pai.

OUROS - Representa a influência do segundo HE sobre as almas.

O segundo HE da Primeira Família corresponde a emanação dos dez Sephiroth da Segunda Família. Esta emanação corresponde no plano físico a "realização".


4 - ANÁLISE NUMÉRICA DO TARO

CHAVE DOS ARCANOS MENORES

Aplicando a lei cíclica de Iod-He-Vau-He em um naipe, temos:

IOD - REI 1,4,7 Cabeça, Espiritualidade - Mundo Divino
HE - DAMA 2,5,8 Peito, Vitalidade - Mundo Humano
VAU - CAVALEIRO 3,6,9 Corpo, Materialidade - Mundo Material
2 HE - VALETE 10 Transição de um Mundo ou Ser (geração) para outro

Assim 10 e Valete (segundo HE) representam a transição de um naipe para outro.
Adicionando-se os quatro Naipes, temos:

IOD - PAUS REI 1,4,7
HE - COPAS DAMA 2,5,8
VAU - ESPADAS CAVALEIRO 3,6,9
2 HE - OUROS VALETE 10

CHAVE DOS ARCANOS MAIORES

Enquanto que para os Arcanos Menores, conforme já mencionado, a Chave do Taro é perfeitamente ajustada ao conjunto de lâminas, para os Arcanos Maiores, não existe um ajuste perfeito. Diversos autores utilizam-se de esquemas diferentes.
Considerando os 22 Arcanos Maiores, temos que um dêles, "O Louco", que nos baralhos atuais é representado pelo "Coringa" ou "Joker", não tem, segundo alguns autores, uma posição fixa. Neste caso, atribui-se-lhe o número "0" (zero). Para outros, o "Louco" ocupa a XXI casa.
Assim temos 21 Arcanos maiores fixos e o "Louco".
Mesmo a ordem dos Arcanos Maiores, por vêzes, é tomada diferentemente. Um dos autores modernos bastante conhecidos, Arthur Edward Waite, criador do "Rider Tarot" um dos mais vendidos nos Estados Unidos é um exemplo destes. Neste trabalho preferimos ficar com a classificação de Mebes, que coloca o Louco como Arcano XXI.

Apresentamos, a seguir, a chave dos Arcanos Maiores, e posteriormente a sua inter-relação com os Arcanos Menores, de acordo com Papus, no seu livro "O Taro dos Bohemios".

Para os Arcanos Maiores temos:

Primeiro Setenário - Mundo Divino
Segundo Setenário - Mundo Humano
Terceiro Setenário - Mundo Material
Último Ternário - Transição do Mundo Criador e Providencial ao Mundo Criado e Fatal.
- Transição para os Arcanos Menores

COMBINAÇÃO DOS ARCANOS MAIORES E MENORES (Papus)

Relações de IOD

ARCANOS MAIORES POSITIVO NEGATIVO
I - VII - XIII IV - X - XVI

ARCANOS MENORES REI DE PAUS REI DE COPAS
ÁS DE PAUS ÁS DE COPAS
4 DE PAUS 4 DE COPAS
7 DE PAUS 7 DE COPAS
REI DE ESPADAS REI DE OUROS
ÁS DE ESPADAS ÁS DE OUROS
4 DE ESPADAS 4 DE OUROS
7 DE ESPADAS 7 DE OUROS
Relações do Primeiro HE

ARCANOS MAIORES POSITIVO NEGATIVO
II - VIII - XIV V - XI - XVII

ARCANOS MENORES DAMA DE PAUS DAMA DE COPAS
2 DE PAUS 2 DE COPAS
5 DE PAUS 5 DE COPAS
8 DE PAUS 8 DE COPAS
DAMA DE ESPADAS DAMA DE OUROS
2 DE ESPADAS 2 DE OUROS
5 DE ESPADAS 5 DE OUROS
8 DE ESPADAS 8 DE OUROS
Relações de VAU

ARCANOS MAIORES POSITIVO NEGATIVO
III VI
IX XII
XV XVIII

ARCANOS MENORES CAVALEIRO DE PAUS CAVALEIRO DE COPAS
3 DE PAUS 3 DE COPAS
6 DE PAUS 6 DE COPAS
9 DE PAUS 9 DE COPAS
CAVALEIRO DE ESPADAS CAVALEIRO DE OUROS
3 DE ESPADAS 3 DE OUROS
6 DE ESPADAS 6 DE OUROS
9 DE ESPADAS 9 DE OUROS
Relações do Segundo HE

POSITIVO NEGATIVO
XIX XX
VALETE DE PAUS e ESPADAS VALETE DE COPAS E OUROS

Equilíbrio

XXI e XXII
DEZ DE PAUS, COPAS, ESPADAS E OUROS
. CHAVE DOS ARACANOS MAIORES (nossa visão)

Como não há um esquema único para os Arcanos Maiores, a correspondencia entre estes e o ciclo IOD-HE-VAU-HE também não é única.
Em seguida apresentamos a nossa "classificação" para os Arcanos Maiores.

Ciclos de Iod-He-Vau-He:

IOD - Arcanos - I, IV, VII, X, XIII, XVI, XIX
HE - Arcanos - II, V, VIII, XI, XIV, XVII, XX
VAU - Arcanos - III, VI, IX, XII, XV, XVIII, XXI
2 HE - Arcanos - IV, VII, X, XIII, XVI, XIX, XXII ou apenas XXII.

Observa-se que nesta série, o primeiro - Arcano I e o último - Arcano XXII são destacados. O Arcano I é o único IOD que não provém da "família" anterior. Desta forma, podemos considerá-lo como a UNIDADE, o Início.
Por outro lado o Arcano XXII é o único "2 HE" que não se propaga em uma nova "família", sendo, portanto o ponto de transição de toda a família dos Arcanos Maiores.


5 - SIGNIFICADO FILOSÓFICO DOS ARCANOS MAIORES segundo Papus

1 - ALEPH Princípio / Essência Homem Natureza Naturante
2 - BETH Substância Mulher Natureza Naturada
3 - GHIMEL Ciência Humanidade Cosmos
4 - DALETH Vontade Poder Fluido Criador
5 - HE Inteligência Autoridade Vida Universal
6 - VAU Beleza Amor Atração Natural
7 - ZAIN Pai Realização - Vitória Luz Astral
8 - HETH Mãe Justiça Existência Elementar
9 - TETH Amor Divino Prudência - Calar Fluido Astral
10 - IOD Ordem Fortuna - Destino Força -> Manifestação
11 - KAPH Liberdade Coragem - Ousar Vida Refletida - Passageira
12 - LAMED Prova Sacrifício Consciente Força Equilibrante
13 - MEM Princípio Transformador Morte Força Plástica Universal
14 - NUM Involução Temperança Vida Individual
15 - SAMECH Destino - Tempo Sina - Força Mágica Encarnação Material - Agente
16 - HAIN Destruição - Caos Catástrofe Equilíbrio Rompido
17 - PHE Imortalidade Esperança Forças Físicas
18 - TZADI Adversários Invisíveis Corpo Material Forças Ocultas
19 - QUPH Luz Verdadeira Verdade Fecundada Reino Mineral - Ouro Filosófico
20 - RESH Renascimento Moral Mudança Reino Vegetal - Vida Vegetativa
21 - SHIN Rutura Instinto Reino Animal - Matéria Viva
22 - THAU Absoluto Realizado Triunfo pela Sabedoria Universo Equilibrado

Papus relata que para utilizar o Taro com estas interpretações, deve-se tirar duas lâminas e colocá-las lado a lado. Em seguida ler o seu significado sem utilizar verbo, pronome ou substantivo.
Procurar a composição útil e a lâmina que deve completar o ternário.
Finalmente ler o sentido descoberto, acrescentando o verbo:

Lâmina 3 - Ciência Lâmina 6 - Beleza

Adicionando-se -> 3 + 6 = 9 temos a terceira Lâmina = Amor Divino

A Ciência da Beleza é o Amor Divino ou A CIência é a Beleza do Amor Divino

Tomemos agora os Arcanos Maiores numa dada sequencia e substindo o terceiro Arcano por outro encontrado através da adição dos dois primeiros Arcanos e calculando a redução tesosófica.

Arcanos Maiores em sequencia de Três

7 - A Vitória 10 - do Poder Mágico 13 - é a Morte
Substituir o Arcano 13 pelo Arcano 8 (10 + 7 = 17, 1 + 7 = 8)

Arcanos Maiores em sequencia de Quatro

v3 - A Ciência 7 - é o Princípio Criador 11 - da Liberdade
Substituir o Arcano 11 pelo Arcano 1 (3 + 7 = 10, 1 + 0 = 1)
Arcanos Maiores em sequencia de Sete

v1 - O Homem 8 - é a Justiça 15 - do Destino
Substituir o Arcano 15 pelo Arcano 9

Arcanos Maiores em sequencia de dez

2 - A Mulher 12 - é o Poder Mágico 22 - do Absoluto Realizado
Susbtituir o Arcano 22 pelo Arcano 5 (2 + 12 = 14, 1 + 4 = 5)

Diversas aplicações podem ser realizadas através deste esquema, como por exemplo, estudar um número...

número 4
Arcano 4 = DALETH -> Vontade
Façamos agora a adição teosófica: 4 => 1 + 2 + 3 + 4 = 10 -> Roda da Fortuna

número 78
78 = 7 + 8 = 15 => 1 + 5 = 6 => VAU -> Beleza

ou um Nome, por exemplo, analizando suas letras, reduzindo a soma de suas letras (tome por exemplo o valor de cada letra do alfabeto) a um Arcano, e após adicionando teosóficamente o seu valor...

LUIZ - 13 + 21 + 9 + 26 = 69 = 15 = 6
13 = Morte
21 = Instinto
9 = Amor Divino
26 = 8 = Mãe
15 = Sina, Força Mágica
6 = Beleza, Amor, Atração Universal
6 = 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 = 21 = Instinto

a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v x w y z
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26


6 - O SIMBOLISMO DAS FIGURAS DOS ARCANOS MAIORES

Os 22 Arcanos Maiores do Taro são constituidos apenas de figuras, nenhuma carta é numérica como no caso dos Arcanos Menores. Estas figuras representam Arquétipos, constituem verdadeiros emblemas do conhecimento esotérico da Antiguidade.

Nas diversas versões de Taro encontradas antes do início do século 20, que podemos denominar de "clássicas", sempre temos as figuras representando símbolos, conceitos, ou entidades do conhecimento esotérico. Nos ultimos quinhentos anos diversos Taros produzidos na Europa e na China, incluem além dos arcanos tradicionais outros representados as virtudes, os pecados capitais, e outros elementos.
Durante o século XX certamente foram produzidas mais versões do Taro do que em toda a história da humanidade desde seu início...

Cada uma das figuras representantes de um Arquétipo, possui seu próprio simbolismo ou conteudo emblemático, além disso, pequenos detalhes também devem ser considerados, tais como os quatro objetos com o Mago (Arcano 1 - Aleph). São eles: A vareta ou baqueta mágica, que representa Paus (Bastões) ou Iod, a Taça que representa Copas (Corações) ou o primeiro He, a espada que representa Espadas (Gládios) ou Vau e finalmente a moeda com a estrêla de cinco pontas que representa Ouros (Pentáculos) ou o segundo He.
Por isso dizemos que o primeiro Arcano contém o início e o fim, passando por todo o Taro !

O ultimo Arcano (Arcano XXII - Thau) representa o Mundo, o universo, a reintegração hermética. Nele temos uma mulher despida (símbolo da pureza), dançando. Um dos pés está sobre a cabeça de Ouroboros, a grande serpente Astral, num claro sentido de dominação sutil do vórtice involutivo que circunda nosso planeta Terra. Nas suas mãos trás duas baquetas mágicas, que segura paralelamente, uma a outra, simbolizando o equilíbrio perfeito do binário.
Nos quatro cantos da lâmina, encontramos os quatro animais da esfinge: Homem, Leão, Touro e Águia, representado o quaternário Iod-He-Vau-He, os quatro elementos Alquímicos: Mercúrio, Enxofre, Sal e Azoth, os quatro elementos Água. Fogo, Terra e Ar, e assim por diante.
Por isso também dizemos que o último Arcano contém a transição e o início, contendo também todo o Taro !

O Louco, lâmina 21 ou 0, é representado por uma figura humana que corre em direção a um precipício, à sua frente. Sua cabeça está coberta por uma carapuça e ele não olha para frente; não percebe o monstro de boca aberta que o espera em baixo da escarpa. Maltrapilho, não se importa com a aparência de sua roupa; que ainda mais está sendo dilacerada por um cão. Na mão esquerda possui um bastão que não usa nem como apoio nem como defesa contra o cão, e na mão direita segura pela ponta um pau compritdo, sobre os ombros, que na ponta suporta um fardo volumoso e pesado.O que pode simbolizar o Arcano do Louco no Taro ?

Simboliza uma pessoa, cuja finalidade de sua vida mudou e esta ainda não ordenou as suas novas tarefas, muito diferentes das anteriores. Assim, ele caminha, porém sem olhar para onde vai, embora possua olhos para ver; não se apoia no bastão das realizações iniciáticas que possui, não o utiliza nem mesmo para se precaver contra agresssões e dificuldades puramente externas, deixando que estas lhe dificultem o progresso. Abandonou a Lógica e imagina ser protegido por alguns privilégios inexistentes, para a lógica comum. Considera-se vestida, mas sua veste inadequada não lhe assegura nem calor nem descência. Cuidadosamente ainda carrega nas costas o fardo pesado de antigas superstições, preconceitos e condicionamentos que não mais harmonizam-se com o seu amadurecimento e com a sua transformação astral.



Taró e Cabala...Arcanos Menores...

OS ARCANOS MENORES

OS ARCANOS MAIORES

Quanto as figuras eis um último dístico para explicá-las:

REI, DAMA, CAVALEIRO, VALETE

Espôso, môço, criança, tôda humanidade,
Sobem por estes quatro degráus à unidade...

Eliphas Levi continua...

"Daremos no final do Ritual, outros detalhes, e documentos completos sôbre o maravilhoso livro do Taro, e demonstraremos que é o livro primitivo, a chave de todas as profecias e de todos os dogmas; numa palavra, o livro dos livros inspirados, o que não pressentiram Court de Gebelin na sua ciência, nem Alliette ou Eteilla, nas suas singulares intuições..."

As dez Sphiroth e os vinte e dois taros formam o que os cabalistas chamam os trinta e dois caminhos da ciência absoluta...

G.O. Mebes, é mais preciso quanto a analogia entre o Ocultismo e o Taro no caminho da evolução ou do Hermetismo Ético.
Seus dois livros "Os Arcanos Maiores do Taro" e os "Arcanos Menores do Taro", contém toda a descrição e análise das diversas lâminas bem como seu relacionamento com estas doutrinas.
Em seguida resumimos alguns pontos relevantes de algumas concepções do Taro.

AS COMBINAÇÕES DE INFLUÊNCIAS DAS CARTAS DO TARO

Para cada um dos quatro Naipes temos quatro figuras que simbolizam pessoas ativas que transmitem a idéia de cada um e cartas com valores desde o um, o ás, até o dez. Estas dez cartas correspondem as dez Sephiroth da influência de cada naipe.

As quatro figuras são:

REI - IOD
DAMA - primeiro HE
CAVALEIRO - VAU
VALETE - segundo HE (Servidor que transmite a influência do Naipe)

Cada uma destas figuras atua no campo das dez Sephiroth do seu naipe, o que resulta em 40 combinações de influências para cada naipe e 160 para todo o Taro.
Isto considerando apenas a análise dos reflexos da Primeira Família exclusivamente em Hockmah. Considerando os reflexos em todo o Sephitoh teríamos 1.600 combinações de influências.

Segundo a analogia do Taro com a Cabala, Alquimia e Magia, temos:

PAUS - REI - IOD - FOGO - ELFOS e SALAMANDRAS
COPAS - DAMA - primeiro HE - ÁGUA - ONDINAS
ESPADAS - CAVALEIRO - VAU - TERRA - SILFOS
OUROS - VALETE - segundo HE - AR - GNOMOS E DUENDES

Quanto as côres de cada naipe, a cor Prêta (elemento Rajástico na tradição Oriental) simboliza as qualidades ativas, força de vontade, energia, iniciativa, movimento e ação.
A cor Vermelha (elemento Tamásico na tradição Oriental) simboliza as qualidades passivas, inércia, ausência de movimento e inconsistência.

ANÁLISE DOS QUATRO NAIPES COMO CAMINHOS DE INICIAÇÃO

Todo o sistema do Arcanos: Menores e Maiores está estreitamente ligado à Cabala, como já citamos anteriormente. Em particular com a Árvore da Vida ou Sistema Sefirótico e com o Tetragramaton IOD HE VAU HE.

Pode-se dizer que o sistema dos Arcanos e sua divisão em Quatro Naipes é correspondente ao Sistema Sefirótico e seus Quatro Mundos e ao Tetragramaton, por onde passa tudo que existe.
Pode-se relacionar as 10 cartas de valores numérico aos dez ramos ou estágios do Sephiroth, e também os 22 Arcanos Maiores aos 22 canais que interligam o Sephiroth e ao alfabeto hebraico.
Assim temos:
IOD PAUS REI Mundo da Emanação 4a Iniciação
HE COPAS DAMA Mundo da Criação 3a Iniciação
VAU ESPADAS CAVALEIRO Mundo da Formação 2a Iniciação
HE OUROS VALETE Mundo da Manifestação 1a Iniciação

Os quatro Naipes também representam os quatro principais estágios do desenvolvimento humano:
OUROS - estágio das aquisições externas e internas da personalidade na vida terrestre
ESPADAS - desvalorização das aquisições de ouros, luta interna, negação do mundo e
da própria personalidade
COPAS - unificação com a Vontade Divina.
PAUS - Poder e Realização.

O progresso Iniciático de Ouros até Paus segue o sentido inverso do Tetragramaton, começando no segundo He e ascendendo até o IOD inicial. isto é lógico pois não se trata da lei da Criação (processo diabático ou de descida), mas sim do caminho da Reintegração (processo anabático ou de subida).
O caminho de descida conduz do sutil ao denso e é criativo, correpondendo a manifestação dos níveis superiores nos níveis inferiores.
O caminho de subida é um processo de sublimação da natureza interior.

Ambos os processos são possíveis, tanto no sistema inteiro dos quatro Naipes, como dentro dos limites de cada um. Segundo cada caso e aspectos particulares da individualidade humana, esta ou aquela direção é mais indicada.
Assim, temos:
OUROS - Estabelecer pontos de apoio nos planos inferiores para alcançar o
"ponto de suspensão", isto é um contato com os planos superiores.
ESPADAS - Libertar-se da ilusões dos mundos inferiores e chegar a um
novo nascimento espiritual.
COPAS - Elevar o inferior, transmitindo-lhe por meio do sacrifício, aquilo que foi
recebido do Alto.
PAUS - Conscientizar-se de sua missão no esquema do Plano Divino para
a Terra e trabalhar neste sentido, em contato com seu Eu superior.

As figuras de um Naipe, dentro dos limites deste Naipe, representam os quatro níveis iniciáticos nos quais se pode desenrolar a experiência do Naipe.
Desse modo os Arcanos Menores apresentam 64 estágios internos básicos, do caminho espiritual do discípulo, isto é a experiências dos 4 naipes em seus 4 aspectos e quatro níveis iniciáticos -> 4x4x4 = 64, que pela soma de seus algarismos conduz a Unicidade Final.

ANÁLISE DAS 16 FIGURAS DOS ARCANOS MENORES

Na figura abaixo mostramos as Quatro Figuras dos Quatro Naipes, destacando-se sua relação com o Tetragramaton IOD-HE-VAU-HE.
Na diagonal temos a figura representante de cada naipe.

PAUS

REI = PAI - É o chefe hierárquico e ponto de partida da autoridade ou
manifestação do poder. Carta principal no Naipe é chamado PAUS DOS PAUS.
DAMA = Esposa do Pai, e dá nascimento ao Cavaleiro.
CAVALEIRO = Agente Ativo que transmite o Poder e opera através do Valete.
VALETE = O servidor do Poder.

COPAS

DAMA = Figura Principal do Naipe de COPAS, representa o Princípio de Atração.
REI = Esposo da Dama, indispensável para o nascimento do Cavaleiro.
CAVALEIRO = Intermediário que atrái para a obra os elementos externos ajudado pelo Valete
VALETE = Servidor da Atração.

ESPADAS

CAVALEIRO = Carta principal do Naipe é o Agente que ativamente transmite a Vida.
REI = Pai do Cavaleiro
DAMA = Mãe do Cavaleiro
VALETE = Servidor na Transmissão da Vida.

OUROS

VALETE = Carta principal de Ouros é o Servidor dos Filhos ou o Trabalhador Braçal.
A Realização é avaliada segundo os resultados que trás.
REI = O Pai Realizador
DAMA = A Dona dos Filhos
CAVALEIRO = Agente ativo que unifica as individualidades que compões os organismos
complexos.

Conforme descrito cada uma das Cartas principais de cada Naipe, juntamente com as outras cartas deste Naipe, representam a "essência pura" do Naipe.

ANÁLISE DAS CARTAS DE VALORES NUMÉRICOS NOS QUATRO NAIPES

As cartas numéricas dos Arcanos Menores, correspondem a Árvore da Vida.
A maioria dos autores associa sempre o Ás a Kether, Dois a Hochmah, e assim por diante até o Dez que corresponde a Malchut. Entretanto G.O. Mebes, no seu "Os Arcanos Menores do Taro" composto por seus discípulos, apresenta uma ordem diferente:
Descendente (de Kether a Malchut) para Ouros, Ascendente (de Malchut a Kether) para espadas, Descendente para Copas e Ascendente/Descendente para PAUS.

Em seguida mostra-se correspondencia entre cada uma das Cartas e as Sephiras da Árvore da Vida.

CAMIHO descendente / CAMIHO ascendente / CARTA

1. KETHER MALCHUT ÁS
2. HOCHMAH YESOD DOIS
3. BINAH HOD TRÊS
4. CHESED NETZAH QUATRO
5. GEVURAH TIFERETH CINCO
6. TIPHERETH GEVURAH SEIS
7. NETZAH CHESED SETE
8. HOD BINAH OITO
9. YESOD HOCHMAH NOVE
10. MALCHUT KETHER DEZ


2 - OS ARCANOS MAIORES

Os trabalhos mais completos sobre o Taro, dentre os quais os já citados livros de Gregory Ossipowitch Mebes, descrevem para cada um dos arcanos maiores:

. Simbolismo da figura de cada carta
. Letra do alfabeto hebraico associada a carta
. Ramo do ocultismo associado a carta
. Significado no Hermetismo: planos do Arquétipo, do Homem e da Natureza
. Signo ou planeta associado a carta
. Pantáculos mágicos e clichês associados

A descrição seguinte considera os seguintes elementos:

. Letra do alfabeto hebraico associada a carta
. Títulos da Carta
Títulos Eruditos
Título Popular
Associações de Eliphas Levi nos 22 capítulos do Dogma
Título do Capítulo no Dogma
. Significado no hermetismo: planos do Arquétipo, do Homem e da Natureza
Significado no Plano do Arquétipo
Significado no Plano da Humanidade
Significado no Plano da Natureza
. Signo ou planeta associado a carta

Elementos para outro trabalho sôbre os Arcanos Maiores:

. Simbolismo da figura de cada carta
. Ramo do ocultismo associado a carta
. Pantáculos mágicos e clichês associados

ARCANO / LETRA / TITULOS / PLANETA / SIGNO

1 ALEPH Magus - Mago
Disciplina - ENSOPH - KETHER
O RECIPENDIÁRIO
Divina Essentia
Vir
Natura Naturans

2 BETH Gnosis - Porta do Sanuário LUA
Papisa
CHOCMAH - Domus - Gnosis
AS COLUNAS DO TEMPLO
Divina Substantia
Feminina
Natura Naturata

3 GHIMEL Phisis - Natureza VENUS
Imperatriz
Plenitudo Vocis - BINAH - Physis
O TRIÂNGULO DE SALOMÃO
Divina Natura
Partus
Generatis

4 DALETH Petra Cubica JUPITER
Imperador
GEBURAH - CHESED - Porta Librorum - Elementa
O TETRAGRAMA
Forma
Auctoritas
Adaptio

5 HE Magister Arcanorum - O Grande Hierofante ÁRIES
Papa
GEBURAH - ECCE
O PENTAGRAMA
Magnetismus
Universalis
Qintessência

6 VAU Bifurcatio - Sigillum Salomonis - A Tentação TOURO
O Namorado
TIPHERETH - UNCUS
O EQUILÍBRIO MÁGICO
Methodus Analogiae
Pentagrammatica Libertas
Medium

7 ZAIN Curriculum Hermetis - O Conquistador GÊMEOS
O Carro - A Carruagem
NETSAH - GLAUDIUS
A ESPADA FLAMEJANTE
Spiritus Dominat Formam
Victoria
Jus Proprietatis

8 HETH Themis CANCER
A Justiça
HOD - VIVENS
A REALIZAÇÃO
Liberatio
Lex
Karma

9 TETH Lux Occulta LEÃO
O Eremita
JESOD - BONUM
A INICIAÇÃO
Protectores
Initiatio
Prudentia

10 IOD Rota Fortunae - A Esfinge VIRGEM
A Roda da Fortuna
MALCHUT - PRINCIPIUM - PHALLUS
A CABALA
Testamentum
Cabala
Fortuna

11 CAPH Leo Domitatus MARTE
A Força
MANUS - A FORÇA
A CADEIA MÁGICA
Vis Divina
Vis Humana
Vis Naturalis

12 LAMED Condemnatio - Sacrificium LIBRA
O Enforcado
DISCITE - CRUX
A GRANDE OBRA
Messias
Caritas
Zodiacus

13 MEM Mors - Foice
A Morte
EX IPSIS - MORS
A NECROMANCIA
Permanentia in Essentia
Mors et Reincarnatio
Transmutatio Virium

14 NUN Ingenium Solare ESCORPIÃO
A Temperança
SPHERA LUNAE - SEMPITERNUM - AUXILIUM
AS TRANSMUTAÇÕES
Deductio
Harmonia Mixtorum
Reversibilitas

15 SAMECH Thyphon - Baphomet SAGITÁRIO
O Diabo
SAMAEL - AUXILIATOR
A MAGIA NEGRA
Logica
Serpens Nahash
Fatum

16 AYIN Turris Destructa - A Casa de Deus CAPRICÓRNIO
A Torre
FONS - OCULUS - FULGUR
OS ENFEITIÇAMENTOS
Eliminatio Logica
Constrictio Astralis
Destructio Physica

17 PHE Stella Magnorum MERCÚRIO
A Estrela
STELLA - OS - INFLEXUS
A ASTROLOGIA
Spes
Intuitio
Divinatio Naturalis

18 TZADI Crepusculum AQUARIUS
A Lua
JUSTITIA - MYSTERIUM - CANES
OS FILTROS E AS SORTES
Herarchia Occulta
Hostis Occulti
Periculus Occulta

19 CUPH Lux Resplendens PEIXES
O Sol
ELAGABALA - VOCATIO - SOL - AURUM
A PEDRA DOS FILÓSOFOS
Veritas Fecunda
Virtus Humana
Aurum Philosophale

20 RESH Resurrectio Mortuum SATURNO
O Julgamento
CAPUT - RESSURECTIO - CIRCULUS
A MEDICINA UNIVERSAL
Attractio Divina
Transformatio Astralis
Mutationes in Tempore

21 SHIN Furca
O Louco
DENTES - FURCA - AMEN
A ADIVINHAÇÃO
Radiatio
Signum
Materia

22 TAV Corona Magica
O Mundo
SIGNA - THOT - PAN
CHAVE GERAL DAS QUATRO CIÊNCIAS OCULTAS
Absolutum
Adaptio Operis Magni
Omnipotentia Naturalis

DECOMPOSIÇÃO TEOSÓFICA DOS ARCANOS MAIORES

No ciclo Iod-He-Vau-He, o segundo He é sempre transformado num outro Iod. Este Iod, procura ou forma para sí um novo He, que lhe convém, e o fecunda. Daí nasce um novo Vau, que conduz a um outro ciclo...

Iod-He-Vau-Iod-He-Vau-Iod-He-Vau...
1 2 3 4 5 6 7 8 9

A "redução teosófica", utilizada na Cabala, para diversas análises, e a que utilizaremos na decomposição numérica dos Arcanos Maiores, baseia-se no módulo 9.

58: 5 + 8 = 13; 1 + 3 = 4
78: 7 + 8 = 15; 1 + 5 = 6
12: 1 + 2 = 3
e assim por diante...

Ela mostra que todos o números podem ser "reduzidos" a um único algarismo, através da prova dos 9.

A "adição teosófica" por outro lado, consiste em somar todos os números até o número dado.
Por exemplo:

4 = 1 + 2 + 3 + 4 = 10
12 = 1 + 2 + 3 + .... + 12 = 78
Aplicando-se agora estas duas operações a partir da unidade, mostra-se que esta se repete a cada três numeros. O que corresponde exatamente ao conceito cíclico de IOD-HE-VAU-HE.

1 2 3
4 5 6
7 8 9
10 11 12...

senão vejamos:

1 = 1
4 = 1 + 2 + 3 + 4 = 10 -> 1 pois 1 + 0 = 1
7 = 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 = 28 -> 1 pois 2 + 8 = 10 e 1 + 0 = 1
10 = 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 = 55 -> 1 pois 5 + 5 = 10 e 1 + 0 = 1
e assim por diante...

Em seguida mostramos algumas decomposições teosóficas dos valores numéricos dos Arcanos Maiores (segundo Mebes), realizando uma veradeira "análise numérica" do Taro.

G.O. Mebes, utiliza esta decomposição do Taro, em seu livro "Os Arcanos Maiores do Taro" não só na análise do próprio Taro, mas também relacionando cada um deles e sua análise numérica, a um aspecto da Magia, da Cabala, um pouco da Astronomia, um pouco da Alquimia, em uma visão geral e histórica do Ocultismo, de forma gradual e magistral, conforme tentamos resumir a seguir. Na realidade este livro foi composto por seus alunos, baseados em notas de um curso dado pelo Mestre. No final do século passado e início deste século, na Rússia.

ARCANO I - A Unidade - O Homem Triplanar - O Mago

O Arcano I corresponde a Mônada, contém o início e o fim.
O Arcano I simboliza a Vida.

ARCANO II - A Polarização Astral - O Binário - A Substância Divina

O Arcano II expressa o binário. O binário simboliza a polarização Astral.

ARCANO III - A Triplicidade Metafísica - O Plano do Arquétipo

O Arcano III expressa a harmonização ou neutralização do binário do Arcano II.
Simboliza assim o conhecimento metafísico, a verdade absoluta, o equilíbrio.

assim:

3 = 1+2 -> A Unidade é produto do Binário.
ou
3 = 2+1 -> Todo binário neutraliza-se numa nova Unidade

ARCANO IV - O Porder - A Autoridade - A Forma - Os Elementos

O quaternário simboliza o esquema geral do processo dinâmico do Universo.
Na Cabala é representado pelo sagrado nome de Deus Iod-He-Vau-He.
Representa também os quatro elementos da natureza Água, Fogo, Terra e Ar, ou os quatro elementos Alquímicos: Enxofre, Mercúrio, Sal e Azoth, ou ainda os quatro animais Herméticos cujo emblema é as esfinge: Homem, Touro, Leão e Águia.

ARCANO V - O Homem Pentagramático

5 = 1+4 -> O mundo dos elementos (4) e (1) o Princípio Superior. 1+4 => simboliza o homem dominando os elementos.

5 = 4+1 -> Invertendo a relação anterior 4+1 => Simboliza o homem dominado pelos quatro elementos, ou seja o homem impulsivo cujas manifestações dependem das influências externas.

5 = 3+2 -> Simboliza a manifestação nos dois planos superiores, de alguma entidade, cujo conhecimento metafísico (3) rege o mecanismo Astral (2).

5 = 2+3 -> A decomposição oposta simboliza o encobrimento do conhecimento metafísico, ou verdade absoluta, por um clichê Astral.

ARCANO VI - O Hexagrama de Salomão - Os dois Caminhos - A Lei da Analogia

6 = 4+2 -> Os elementos sutilizam-se no astral e 6 = 2+4 -> no caminho inverso, um clichê astral materializa-se nos elementos. Estes ciclos simbolizam o Bem e o Mal, o verdadeiro e o falso, o ativo e o passivo, e assim por diante.

6 = 3+3 -> O hexagrama ou selo de Salamão, é composto por dois triângulos um evolutivo e outro involutivo.

6 = 5+1 -> Vida + Vontade. A influência da Vida, modula o indivíduo que no futuro expressará sua Vontade.

6 = 1+5 -> A Vontade do 1 é capaz de criar a vida em todos os planos...

ARCANO VII - O Vencedor - A Vitória

7 = 3+4 -> "Spiritus dominat formam". O espírito (3), ou conhecimento metafísico, domina a forma (4) síntese dos quatro elementos.

7 = 4+3 -> A decomposição inversa representa a forma dominando o espírito, ou o obscurantismo, ou ainda os artifícios da Magia Negra.

7 = 5+2 -> O domínio dos princípios pentagramáticos (5) sobre a Natureza Naturata (2), ou seja sobre a criação da natureza. Este princípio expressa a lei da propriedade ou "jus proprietatis".

7 = 1+6 -> Vontade + Provação (Bifurcatio ou a escolha entre dois caminhos), nos leva à Vitória.

7 = 6+1 -> Expressa o contrário da provação e significa a derrota.

7 = 3+1+3 -> A Vontade (1) do Homem, oscila entre dois triângulos o do Arquétipo e o da Natureza.

7 = 2+3+2 -> O ternário central, Mundo das Emanações ou plano Arquetípico rege os dois binários do Homem e da Natureza.

ARCANO VIII - A Grande Balança - O Equilíbrio

8 = 1+7 -> As manifestações conscientes e a aplicação dos princípios andróginos equilibrados (1) na Vitória (7).

8 = 7+1 -> Predomínio da vitória pessoal sôbre a manifestação da vontade = inércia consciente e voluntária do vencedor.

8 = 2+6 -> A gnose (2) mais a lei de reação do mundo (6).

8= 6+2 -> A gnose (2) fica subordinada a escolha do caminho (6).

8 = 3+5 -> A metafísica (o mundo elevado dos ternários) domina o campo dos impulsos da vontade pessoal (5).

8 = 5+3 -> Adaptar a metafísica aos seus impulsos pessoais.

8 = 4+4 -> A forma contrapõe-se a forma, a adaptação contrapõe-se a adaptação = fórmula geral do karma.

ARCANO IX - A Iniciação

9 = 1+8 -> A unidade equilibrada (1) procura manifestar-se conforme a Lei (8) = Iniciação.

9= 8+1 -> A legalidade (8) pesa sôbre uma unidade equilibrada e a limita.

9 = 2+7 -> A soma da gnose (2) ou da ciência e do Vencedor (7).

9 = 7+2 -> O Vencedor (7) não quer se expor ao perigo desta ciência (2).

9 = 3+6 -> A metafísica (3) determina a escolha do caminho (6).

9 = 6+3 -> A escolha do caminho (6) leva a uma metafísica.

9 = 4+5 -> Elevar-se do plano dos elementos (4) ao plano astral (5).

9 = 5+4 -> A vontade pessoal (5) possui a primazia sobre os elementos.

9 = 3+3+3 -> Três ciclos com três divisões em cada um deles ou três gráus = Físico, Astral e Mental.

9 = 3+2+4 -> A Iniciação (9) conduz ao Grande Aracano, ou seja: sua parte mental (3), astral (2) e elementar (4).

ARCANO X - A Cabala - O Moinho do Mundo

10 = 1 + 9 -> O Único não se manifesta por sí, mas por 9 atributos.

10 = 9 + 1 -> Estes 9 atributos são sintetizados em uma décima manifestação.

Estas são as chaves da Cabala. Os caminhos de decaimento e reintegração na Árvore da Vida.

10 = 2 + 8 -> A Gnose (2) influencia o lado Legal (8) da Cabala.

10 = 8 + 2 -> A Legalidade (8) ou o meio ambiente influi sobre as formas e sobre a essência.

10 = 7 + 3 -> Divisa das Escolas Mágicas, que recomendam conhecer primeiro a esfera das atividades das Causas Secundárias (7) como base para as Causas Primárias (3).

10 = 3 + 7 -> Divisa das Escolas Teosóficas que procuram em primeiro lugar o desenvolvimento da intuição mental das Causas Primárias (3) para que isso induza as Causas Secundárias (7).

10 = 4 + 6 -> As 4 Sephiroth da coluna central têm primazia sobre as 6 laterais.

10 = 6 + 4 -> Na Cabala, o Hexagrama de Salomão (6) é superior à Rota Elementar (4).

10 = 5 + 5 -> 5 oposto a 5 expressa um relacionamento entre as duas partes de uma totalidade.
(Macroprosopo, Pai, Mãe, Microprosopo, e Esposa <=> Yehidah, Ruah, Neshamah, Chaiah e Nephesh)

ARCANO XI - A Força - As Correntes Egregóricas

11 = 1 + 10 -> A Mônada (1) rege um sistema fechado (10) <=> A Vontade rege uma Corrente composta por elos individuais.

11 = 10 + 1 -> Uma coletividade de Indivíduos manifesta-se como uma Unidade (Egrégora).

11 = 2 + 9 e 9 + 2 -> A incapacidade humana de neutralizar os binários (2) leva os Iniciados (9) a trabalhar e manifestar sua força (11). A força (11) dos Iniciados (9) consiste na utilização, para as suas finalidades, da capacidade alheia de neutralizar os binários.

11 = 3 + 8 e 8 + 3 -> A força (11) consiste em ser produtivo (3) dentro da Lei estabelecida (8).
A força (11) está na preservação da Lei (8) dentro da produtividade (3) já existente.

11 = 4 + 7 e 11 = 7 + 4 -> A dependência dos elementos (4) faz surgir no homem a ação das causas secundárias (7) tornando-o forte (11).
As causas secundárias (7) regem os elementos (4) e isto resulta na força (11).
Esta última interpretação indica a necessidade de participação na corrente mágica, além dos pentagramas, também os elementais (4) que, conhecendo os mistérios da involução, ajudam na realização das finalidades da corrente. Estes elementais (4), porém, devem ser submetidos aos elementos pentagramáticos da corrente, os quais, por sua vêz, são apoiados por influências planetárias.

11 = 5 + 6 e 6 + 5 -> Fórmula de uma cerimônia Mágica: o microcosmo (5) atua no macrocosmo (6). Fórmula comum da Adivinhação Astral: o macrocosmo (6) informa o microcosmo (5).
Estas duas fórmulas ocultam uma parte dos mistérios da força... A força pode ser utilizada para realizações, através da atuação de correntes mágicas, regidas por Egrégoras determinadas.
Uma forma típica de corrente é uma coletividade, que professa uma determinada religião.

ARCANO XII - O Sacrifício - O Messias - O Zodíaco

12 = 11 + 1 -> A Unidade (1) depois da Criação (11) indica seu sacrifício perante esta, significa que a Corrente, assimilou temporáriamente o Um. O aparecimento do Messias expressa o sacrifício do Arquétipo em prol da Humanidade.

12 =2 + 10 -> O Conhecimento (2) prevalesce sobre o sistema do Moinho Universal (10).
Mebes aqui mostra o sacrifício da seguinte maneira: "Essa é a fórmula destas mentes corajosas, que durante uma ou mesmo algumas encarnações, sacrificam conscientemente as alegrias da vida pessoal, talvêz os prazeres do plano físico, até mesmo uma parte de suas aspirações místicas, para dedicar-se à pesqueisa científica, a favor do conhecimento futuro da humanidade.
Elas acreditam que a neutralização sábia dos binários terrestres, pelo esfôrço científico e altruista, vencerá a tendência involutiva do astral do nosso planeta. A vida toda destas pessoas é um ato de sacrifício..."

12 = 10 + 2 -> Não ! dizem outros, a ciência é inimiga da humanidade, o Moinho Universal é seu melhor amigo. Não lutemos contra o poderoso fluxo astral do planeta inteiro, vivamos a vida aceitando os caminhos da natureza, sem nunca tentar modificá-la... Abaixo os ideais civilizadores.

12 = 3 + 9 -> O desenvolvimento metafísico (3), determina a Iniciação (9) e a aplicação dos elementos iniciáticos à vida.

12 = 9 + 3 -> É melhor, dizem outros, que a tradição estabelecida da transmissão em cadeia (9) do ensinamento com o tempo chegue ao elemento metafísico criador (3).

12 = 4 + 8 -> A Autoridade (4) cria as leis (8) -> hierarquia.

12 = 8 + 4 -> Ao contrário, aqui predomina a Lei (8) sobre as autoridades individuais (4).

12 = 5 + 7 -> O trabalho interno da personalidade (5) (pentagramático) leva a vitória do sútil sobre o denso (7). Todavia, o (7) - vitória imediata do sútil sobre o denso sacrifica-se ao processo de formação do princípio pentagramático (5).

12 = 7 + 5 -> Não ! dizem outros, a vitória do espírito sobre a forma (7), em Netzach, deve ser o ponto de partida para a formação do pentagrama (5).

12 = 6 + 6 -> Síntese das polêmicas desesperadas de todas as decomposições precedentes, cujos aspectos negativos são tão bem narrados por Stanilas de Guaita em seu "La Clef de la Magie Noire", capítulo V.

Os demais desdobramentos do Arcano XII revelam o Plano Zodiacal ou Plano do Sacrifício. O sacrifício é expresso no simbolismo hermético, fase final da Grande Obra, como um Triângulo descendente, oprimido pela Cruz do Quaternário. Este é o símbolo da "Estrêla condutora de todas as Encarnações do princípio Logóico".

12 = 4 + 4 + 4 -> um ternário de quaternários...

12 = 3 + 3 + 3 + 3 -> um quaternário de ternários...

12 = 2 + 2 + 2 + 2 + 2 + 2 -> sei binários formando o duodenário polarizado.

ARCANO XIII - A Inevitabilidade da Morte - Os Princípios Superiores - As Transformações

13 = 1 + 12 -> Um ser de três planos (1) e a necessidade do sacrifício no plano físico (12), levam à idéia da morte (13).

13 = 12 + 1 -> A vida zodiacal (12) causa a morte do terceiro plano da entidade triplânica (1)

13 = 2 + 11 -> A polaridade do bem e do mal (2) utilizando-se da força (11) pode causar a morte (morte violenta).

13 = 11 + 2 -> A força (11), plenamente realizada, deve escolher um dos polos - fórmula de Kadosh -> Se possues a força, sê quente ou frio.

13 = 3 + 10 -> O conhecimento da metafísica hermética (3) unido à compreensão das finalidades superiores do Moinho do Mundo (10) conduz a completa reconciliação com a idéia de morte (morte natural evolutiva).

13 = 10 + 3 -> Outra fórmula da morte natural -> A Roda da Esfinge (10) girou, e este movimento (3) criou um novo estado (13).

13 = 4 + 9 -> O Poder da Autoridade (4) na Iniciação (9) é devido ao conhecimento dos mistérios da morte (13).

13 = 9 + 4 -> Galgar os gráus da Iniciação (9) destitui de valor a autoridade (9) de carácter terrestre, pois esta é impermanente (13).

13 = 5 + 8 -> O Pentagrama (5) que domina sa Leis (8) deve mudar de plano (13)

13 = 8 + 5 -> A prioridade para a legalidade (8) oprime o pentagrama (5), privando-o do ponto de apoio (13).

em seguida Mebes descreve suscintamente as decomposições do Arcano XIII correspondentes aos diversos tipos de morte:

13 = 1+ 12 -> sacrifício voluntário da vida por um ideal
13 = 2 + 11 -> morte infligida
13 = 3 + 10 -> morte natural
13 = 4 + 9 -> morte do adepto pelo rompimento do cordão durante a exteriorização
13 = 5 + 8 -> morte pela força da lei - execução
13 = 6 + 7 -> morte em luta, trazendo vitória ao ideal
13 = 7 + 6 -> morte em luta desigual
13 = 8 + 5 -> morte por vontade própria (suicídio)
13 = 9 + 4 -> morte prematura devido a condições inadequadas da vida
13 = 10 + 3 -> morte durante o parto
13 = 11 + 2 -> morte devido a conscientização de situação trágica
13 = 12 + 1 -> passagem do adepto para outro plano - fim da missão na Terra.

ARCANO XIV - A Dedução - A Harmonia Hermética - A Reversibilidade

14 = 1 + 13 -> Hermes Trismegisto (1) possuidor do princípio da Imortalidade (13) apresenta um grandioso quadro geral da Dedução (14)
-> Um ser humano tridimensional (1) utilizando com sabedoria suas encarnações (13) acaba realizando a harmonia hermética.

14 = 2 + 12 -> A polaridade (2) no ser humano, e as leis de misericórdia para com seus semelhantes (12) são as chaves para a harmonia hermética - Hessed e Gvurah dão nascimento a Tifereth...

14 = 3 + 11 -> A criatividade (3) e a força das Egrégoras (11) trasnmitem a harmonia (14) aos órgãos sagrados do Protoplasma.

14 = 4 + 10 -> A capacidade intuitiva de quem representa a autoridade (4) e a iniciação à Cabala (10) abrem caminho para a harmonia hermética.

14 = 5 + 9 -> A formação do Pentagrama (5) e sua iniciação (9) levam à harmonia hermética.

14 = 6 + 8 -> O livre arbítrio (6) unido ao respeito à lei (8) conduzem à harmonia hermética.

14 = 7 + 7 -> A harmonia hermética (14) é obtida equilibrando-se a vitória da atividade (7) com a vitória da intuição (7). A reversibilidade (14) são duas fases do mesmo ciclo (7).

ARCANO XV - Baphomet - A Lógica

15 = 1 + 14 -> A Essência Divina (1) que rege a dedução lógia (14), do homem triplanar (1) que harmoniza seu astrosoma (14).

15 = 14 + 1 -> A dedução lógica é limitada por influências que abafam no ser humano a Essência Divina (1) -> fórmula do ateísmo.

15 = 2 + 13 -> Conhecer o mistério da Substância Divina (2) e uní-lo ao mistério da imortalidade.

15 = 3 + 12 = 12 + 3 -> Compreender os versos esmeraldinos que afirmam que o Baphomet (15) desce do céu metafísico (3) à terra zodiacalmente materializada (12)

15 = 4 + 11 = 11 + 4 -> A união da Forma (4) e da invencível Força (11) abrange tudo que criamos no campo do útil e do racional (15).

15 = 5 + 10 = 10 + 5 -> A formação do Pentagrama (5) e o conhecimento da Cabala (10) revelam o mistério de Baphomet (15) - Princípio das operações mágicas, que implica necessáriamente na participação ativa do operador.

15 = 6 + 9 = 9 + 6 -> O livre arbítrio (6) e a inicação tradicional (9) condicionam o controle de nossas paixões e a utilização das paixões dos outros (15).

15 = 7 + 8 = 8 + 7 -> A compreensão dos direitos de propriedade (7) e da lei da retribuição (8) permitem explorar as paixões alheias (15) ou a vitória (7) sobre sí mesmo e o conhecimento das leis do equilíbrio (8) garantem a lógica do pensamento (15).

ARCANO XVI - O Constrangimento Astral - A Magia Cerimonial

16 = 1 + 15 = 15 + 1 -> O indivíduo (1) aplica o Arcano XV (Baphomet) e este, por sua vêz, transfere uma ação a um outro indivíduo. O Arcano XVI só pode entrar em ação quando existem ambos, o Operador e o Paciente.

16 = 2 + 14 = 14 + 2 -> A substância metafísica (2) e a dedução (14) determinam a eliminação lógica (16). A polaridade da natureza humana (2) e a aspiração de harmonizá-la (14) levam ao constrangimento astral (16).

16 = 3 + 13 = 13 + 3 -> A poderosa criatividade (3) do mundo metafísico e a permanência (13) dos valores do mesmo, justificam a tese da eliminação (16). Entre o nascimento (3) e a morte (13) utilizamos nossa existência física para provocar constrangimentos astrais.

16 = 4 + 12 = 12 + 4 -> A autoridade (4) e a misericórdia (12) estímulam à Magia Cerimonial.

16 = 5 + 11 = 11 + 5 -> O pentagrama (5) apoiando-se na egrégoras das correntes (11) realiza as operações mágicas (16).

16 = 6 + 10 = 10 + 6 -> O livre arbítrio (6) e o conhecimento da Cabala (10) bastam para determinar o conjunto de teses. As leis da Vida, de determinado ambiente (6) e a implacabilidade do Moinho do Mundo (10) levam às destruições físicas inevitáveis.

16 = 7 + 9 = 9 + 7 -> Se formos vencedores (7) na Prova dos Dois Caminhos e alcançarmos a Iniciação (9) nos será dado o poder dos constrangimentos astrais (Magia Cerimonial).

16 = 8 + 8 -> O confronto entre teses (8) e (8) ou um karma contraposto a outro karma, levam a aplicação do Arcano XVI no campo do Ternário Teosófico.

ARCANO XVII - A Esperança - A Intuição

17 = 1 + 16 -> A Essência Divina (1) e a exclusão lógica do Mal (16) para o nascimento do Bem, trazem a Esperança (17) no campo metafísico. O homem triplanar (1) que sabe excluir as formas astrais (16) desnecessárias e examinar as que lhe interessam, desenvolve a intuição.

17 = 16 + 1 -> Os procedimentos do constrangimento astral (16) aplicados a um ser humano (1), podem obrigá-lo a não enganar a nossa intuição (17) e dizer sempre a verdade, quando evocarmos seu astrossoma.

17 = 2 + 15 = 15 + 2 -> A substância metafísica (2) e a lógica pura (15) resultam na esperança (17) do triunfo do sutil, demonstrando o poder penetrante da dedução.

17 = 3 + 14 = 14 + 3 -> A compreensão do Arquétipo (3) e a capacidade dedutiva (14) estabelecem a esperança (17)

17 = 5 + 12 = 12 + 5 -> A ciência do bem e do mal (5) e a espera do Messias (12) equivalem a esperança (17)

17 = 6 + 11 = 11 + 6 -> A Lei da Analogia (6) e a convicção das forças Superiores (11) levam à esperança (17)

17 = 7 + 10 = 10 + 7 -> A vitória do espírito sobre a forma (7) e a aceitação do Testamento (10) levam à esperança (17)

17 = 8 + 9 = 9 + 8 -> Quem souber da grande Balança da Justiça (8) e ao mesmo tempo tiver fé na Proteção Superior (9) terá esperança, intuição e saberá ler a natureza.

ARCANO XVIII - O Enfeitiçamento - A Ordem Hierárquica - Inimigos Ocultos

18 = 1 + 17 = 17 + 1 -> O mago (1) que possui intuição (17) pode ver as ameaças ocultas (18).

18 = 2 + 16 = 16 + 2 -> O princípio da polarização (2) e a possibilidade de constrangimento astral (16) revelam o mistério do enfeitiçamento (18).

18 = 3 + 15 = 15 + 3 -> Os mistérios do nascimento (3) e os recursos do elemento Nahash (15) são componentes do processo de enfeitiçamento (18).

18 = 4 + 12 = 12 + 4 -> Os processos da formação (4) e da dedução (14) determinam a constituição da hierarquia (18).

18 = 5 + 13 = 13 + 5 -> O conhecimento do Bem e do Mal (5) e a permanência dos Princípios Superiores (13) estabelecem a Hierarquia (18).

18 = 6 + 12 = 12 + 6 -> A liberdade (6) maior que a misericórdia (12) levam ao enfeitiçamento (18).

18 = 7 + 11 = 11 + 7 -> A essência da Hierarquia (18) é que o sutil rege o denso (7) e possui o poder (11) de permeá-lo.

18 = 8 + 10 = 10 + 8 -> A Balança do Mundo (8) e o Grande Testamento (10) são a chave da Hierarquia.

18 = 9 + 9 -> A graduação hierárquica (18) é a consequ6encia do encontro de dois protetores (9) + (9)

ARCANO XIX - A Verdade - A Virtude - O Alquimista

19 = 1 + 18 = 18 + 1 -> O Uno (1) e os mistérios da Hierarquia (18) levam à Verdade Criadora (19). O Mago (1) conhecendo os mistérios do Enfeitiçamento (18) protege-se contra inimigos, cultivando em sí a Verdadeira Virtude.

19 = 2 + 17 = 17 + 2 -> A polaridade da natureza Humana (2) e a Intuição (17) criam a Virtude.

19 = 3 + 16 = 16 + 3 -> A triplicidade da natureza metafísica (3) e o método da exclusão lógica (16) levam à Virtude. A compreensão do mistério do nascimento (3) e do mistério do constrangimento astral (16) levam às Verdades Frutíferas.

19 = 4 + 15 = 15 + 4 -> A Autoridade (4) e o conhecimento do Baphomet (15), fazem triunfar a Virtude.

19 = 5 + 14 = 14 + 5 -> O Pentagrama (5) que realizou a Harmonia (14) em sí mesmo, torna-se Virtuoso (19).

19 = 6 + 13 = 13 + 6 -> O conhecimento do Ambiente (6) e das transformações energéticas (13) mostram a chave da Alquimia (19).

19 = 7 + 12 = 12 + 7 -> Se vencermos a nós mesmos (7) pela severidade, e formos misericordiosos (12) com os outros, então seremos Virtuosos (19).

19 = 8 + 11 = 11 + 8 -> Se dirigirmos a força (11) para o equilíbrio (8) então seremos virtuosos (19).

19 = 9 + 10 = 10 + 9 -> Um Iniciado (9), Cabalista (10) é, sem dúvida, Virtuoso (19).

ARCANO XX - Atração para o Alto - Transformação Astral

20 = 1 + 19 = 19 + 1 -> A essência metafísica (1) e a verdade (19) impulsionam para cima.

20 = 2 + 18 = 18 + 2 -> O mistério da polaridade (2) e a existência de inimigos no astral (18) obrigam-nos a nos defender por meio da transformação (20)

20 = 3 + 17 = 17 + 3 -> A compreensão do Grande Ternário da Natureza Divina (3) e a Esperança (17) explicam a atração para o Alto.

20 = 4 + 16 = 16 + 4 -> O poder sobre sí mesmo (4) e o mecanismo de auto-sugestão (16) determinam a Transformação Astral (20).

20 = 5 + 15 = 15 + 5 -> O Pentagrama (5) que domina os mistérios do Baphomet (15) trasnforma o Astrossoma.

20 = 6 + 14 = 14 + 6 -> A consciência do livre arbítrio (6) e a harmonia interna (14) provam a transformação astral (20).

20 = 7 + 13 = 13 + 7 -> A Vitória (7) sobre sí mesmo no fim da encarnação (13) garante o aperfeiçoamento do astrossoma (20).

20 = 8 + 12 = 12 + 8 -> A justiça (8) e a misericórdia ou a fé no Messias (12) promovem a atração para o alto (20).

20 = 9 + 11 = 11 + 9 -> A força (11) e a Iniciação (9) determinam a atração para o Alto (20)

20 = 10 + 10 -> A Cabala (10) interna e rigorosa, em resposta à Cabala (10), externa, transforma o astrossoma (20).

ARCANO XXI - Ausência de Lógica - Shin a Encarnação - O Mistério

21 = 1 + 20 -> O elemento equilibrado (1) no caminho da atração para o Alto, não mais se importa com a lógica humana normal (21).

21 = 20 + 1 -> O processo do renascimento (20) interfere na situação da personalidade (1).

21 = 2 + 19 -> O mistério Shin (21) baseia-se no conhecimento da Lei dos Opostos ou da Analogia (2) e do mistério da Obra Magna (19).

21 = 3 + 18 -> O conhecimento do mistério Shin (21) exige uma cultura metafísica completa (3), o conhecimento do poder absoluto da Hierarquia, do poder das forças ocultas e de suas possibilidades de atuação adversa no plano físico (18).

21 = 4 + 17 -> Para dominar o Arcano Shin (21) é preciso um estudo profundo, tanto das manifestações físicas e químicas (4) como das influências astrais na Natureza (17)

21 = 17 + 4 -> A Esperança (17) e o Poder (4) nos levam ao conhecimento do Mistério final do processo Iniciático (21).

21 = 5 + 16 -> Ao aplicar o Arcano Shin (21), deve-se estar conscio do poder incomensurável da liberdade humana expresso por sua própria vontade (5) e de que esta liberdade pode causar a queda e a desagregação como consequ6encia inevitável da materialização (16).

21 = 6 + 15 -> Por toda parte há duas sendas (6) e em toda parte poderemos nos tornar senhores ou escravos do poderoso Baphomet (15).

21 = 7 + 14 -> Ao tornarmo-nos vencedores (7) é preciso moderar e harmonizar (14) as manifestações de nossa força.

21 = 8 + 13 -> Se trabalharmos no plano da Legalidade Estabelecida (8) devemos saber que preparamos a mudança do plano de existência (13), ou seja nosso trabalho deve nos preparar para a morte no plano físico e nascimento para a vida astral.

21 = 9 + 12 -> Quem quizer dominar o grande mistério místico do Shin (21) deve iniciar-se (9) e estar pronto para o sacrifício (12).

21 = 10 + 11 -> Aquele que domina o mistério do Shin (21) apoia-se por uma lado no funcionamento automático do Moinho do Mundo (10) e por outro nos recursos das poderosas correntes egregóricas (11).

21 = 11 + 10 -> Para dominar o mistério Shin (21) devemos possuir a Força (11) e praticar a Cabala (10).

ARCANO XXII - Harmonia - O Grande Arcano -

22 = 1 + 21 -> O Aleph (1) completo e harmonioso, domina o mistério Shin (21), simbolizando para humanidade, através da manifestação astral do Arcano, que esta já realizou a Grande Obra.

22 = 21 + 1 -> O Aleph (1), submete-se à exploração pelo Arcano Shin (21). Acaso seria aconselhável que um ocultista se engarregar voluntárimente do fardo das superstições e não utilizar o bastão da prudência, fechando os olhos ? Ou, de outro ângulo, deve-se carregar o fardo da humilhação deixando de usar o bastão do poder ?
Mebes responde à questão: Sem dúvida, é preciso ver, mas por vêzes é melhor fechar os olhos. É bom ser prudente, mesmo que uma imprudência possa não ser má... É certo que o instrutor não deve ter apegos, condicionamentos, superstições ou preconceitos, porém, estas distrações, às vêzes, tornam a vida mais agradável...

22 = 2 + 20 -> A ciência (2) e o conhecimento exato do valor da regeneração (20) possibilitam o domínio do Grande Arcano (22).

22 = 3 + 19 -> A produtividade (3) rege a Obra Magna (19).

22 = 4 + 18 -> A autoridade (4) conjugada com o poder oculto (18) é o esquema geral da Magia Branca.

22 = 5 + 17 -> O autoconhecimento aquirido no trabalho de elaboração dentro de sí mesmo, da quintessência (5), juntamente com iniciações nas Leis da Natureza (17) levam ao Adeptado, pois realizam a harmonia entre o microcosmo e o macrocosmo.

22 = 6 + 16 -> Conhecer a existência dos dois caminhos (6) e escolher o certo, através do conhecimento das leis da Queda (16) parece ser um método melhor para se chegar ao Adeptado (22) que o caminho inverso:

22 = 16 + 6 -> ...em que a escolha do caminho certo (6) resulta da experiência de quedas (16) na vida presente e nas encarnações anteriores.

22 = 7 + 15 -> A vitória ou o conhecimento da primazia do espírito sobre a forma (7) e, em segundo lugar, o conhecimento dos processos dinâmicos (15) levam ao Adeptado do Iluminismo (22).

22 = 15 + 7 -> Uma personalidade que iniciou a carreira pelo contato prático com o astral e que durante provações difíceis, caiu por várias vêzes, até obter finalmente a vitória (7) e chegar à Luz. A Magia Negra pode levar à Magia Branca, porém através de tremendos sacrifícios...

22 = 8 + 14 -> A Legalidade (8) predomina sobre a moderação (14). É o caminho severo de Gvurah, em relação a sí mesmo e aos outros. Este é também chamado do caminho de Moisés.

22 = 14 + 8 -> A moderação (14) nas manifestações domina a Legalidade (8). Este é o caminho do bondoso teurgo Claude Saint-Martin.

22 = 9 + 13 -> A Iniciação (9) faz mudar de plano (13).

22 = 13 + 9 -> A mudança de plano (13) leva à Iniciação.

22 = 10 + 12 -> A atividade implacável do Moinho do Mundo (10) faz surgir em nós a idéia do Sacrifício (12).

22 = 12 + 10 -> A aspiração ao sacrifício (12) numa alma que procura Deus, faz com que diante dela sejam revelados os mistérios dos Sistemas Fechados (10). Não importa se a Cabala (10) leva ao Sacrifício (12) ou o Sacirfício à Cabala, o resultado é o mesmo, isto é o Adeptado.

22 = 11 + 11 -> Confrontemos uma força (11) com outra força (11); a nossa com a alheia; e de uma Corrente com a de outra; a de uma convicção com outra convicção. Fazendo-o sempre e em relação a tudo, achar-nos-emos, sem perceber, na situação da figura humana com as duas "varinhas" seguradas paralelamente na figura do Arcano XXII. Contudo, em nossa "dança" não esqueçamos de colocar um pé no chão, para nos apoiarmos sôbre a Terra; assim a Serpente Astral (Nahash) não mais será para nós um perigo, e sim, formará ao nosso redor, uma elípse regular, representando a continuidade (a serpende que morde a própria cauda), e formando o Ovo da Vida - Omnia vivum ex ovo = tudo o que vive provém de um ovo...

Analisando profundamente a nossa vida, perceberemos o papel representado em nossa evolução pelos quatro animais sagrados, que também representam os quatro mundos da Cabala; e então não mais no envergonharemos de ficar nús, como a dançarina do Arcano XXII, pois então nada mais teremos a ocultar !

Iniciações e Ritos de Passagens....

Em todas as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem. Essas cerimônias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representavam igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual estava inserido, tendo portanto tanto o cunho individual quanto o coletivo.

Geralmente, a primeira dessas cerimônias era praticada dentro do próprio ambiente familiar, logo em seguida ao nascimento. Nesse rito, o recém-nascido era apresentado aos seus antecedentes diretos, e era reconhecido como sendo parte da linhagem ancestral. Seu nome, previamente escolhido, era então pronunciado para ele pela primeira vez, de forma solene.

Alguns anos mais tarde, ao atingir a puberdade, o jovem passava por outra cerimônia. Para as mulheres, isso se dava geralmente no momento da primeira menstruação, marcando o fato que, entrando no seu período fértil, estava apta a preparar-se para o casamento. Para os rapazes, essa cerimônia geralmente se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo: ao derramar sangue para a preservação da comunidade (pela procriação ou pela alimentação), ela estava simbolicamente misturando o seu próprio sangue ao sangue do seu clã.

Variadas cerimônias marcavam, ainda, a idade adulta. Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas. A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali.

Outras cerimônias seguiam-se, ao longo da vida. O casamento era uma delas, e os ritos fúnebres eram considerados como a última transição, aquela que propiciava a entrada no reino dos mortos e garantia o retorno futuro ao mundo dos vivos.

Todas essas cerimônias, no entanto, marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas. A convivência com algumas pessoas devia ser deixada para trás e novas pessoas passavam a constituir o grupo de relacionamento direto. Muitas vezes, a cada uma dessas cerimônias, a pessoa trocava de nome, representando que aquela identidade que assumira até então, não mais existia - ela era uma nova pessoa.

Nos tempos atuais e nas sociedades modernas, muitos desses ritos subsistiram, embora muitos deles esvaziados do seu conteúdo simbólico. Batismo e festas de aniversário de 15 anos, por exemplo, são resquícios desse tipo de cerimônia, que hoje representam muito mais um compromisso social do que a marcação do início de uma nova fase na vida do indivíduo.

No entanto, a troca do símbolo pela ostentação pura e simples, acaba criando a desestruturação do padrão social. Tomando o batizado cristão como exemplo, poderia-se perguntar quantas pessoas que batizam os seus filhos são, realmente, cristãs. Quantas pretendem realmente cumprir a promessa solene, feita em frente ao seu sacerdote, de manter a criança na fé dos seus antepassados? Obviamente, nas sociedades primitivas, tais promessas eram obrigações indiscutíveis e sagradas. Rompê-las era colocar em risco a própria sobrevivência da tribo como unidade coerente, o que não era, ao menos, cogitável.

A Iniciação dos Xamãs e Heróis

Ao lado dos ritos que abordamos, de certa forma institucionalizados e regulados pela família e pela sociedade, haviam outros ritos específicos, que poderiam configurar uma categoria distinta de passagem ou iniciação. Embora pudessem acontecer depois de alguma preparação, era comum que esses ritos ocorressem espontâneamente, a partir de uma casualidade que era então tida como propiciada pelos deuses. Estes eram os ritos de iniciação dos xamãs ou dos heróis.

Muitas pessoas, após passarem incólumes por algum tipo de experiência traumática, que poderia ter provocado a sua morte, eram consideradas como pertencendo a uma classe especial. Estados semicomatosos induzidos por doenças, picada de animais peçonhentos, etc, eram normalmente considerados como modificadores da pessoa, que retornaria desses estados possuindo uma nova e mais clara visão do mundo. Essas pessoas, geralmente, eram alçadas à condição de xamãs pela tribo.

Por um outro lado, o contrário também poderia acontecer: dentro do processo normal de treinamento de um xamã, chegava-se a um ponto em que determinadas provas deveriam ser enfrentadas, para que o treinando comprovasse a sua capacidade de enfrentar seus medos e seus próprios limites físicos e mentais. Isolamento, frio, fome, às vezes extremos, eram utilizados nesse sentido.

A idéia aqui, portanto, não era a de rito de passagem simplesmente como transição de um período para outro da vida, mas também como de um estado de consciência para outro. Ou seja: essa forma de rito não depreendia uma idade ou ocasião específica, e nem ao menos uma cerimônia específica. Poderia acontecer a qualquer momento da vida, por acaso ou por escolha própria, e tinha um cunho de transformação de personalidade mais profundo, geralmente associado a uma missão a cumprir, após a iniciação.

O caráter de morte e renascimento nesses ritos era profundamente marcado. Vê-se tal caráter em diversas lendas de heróis mitológicos, como, por exemplo, no mito egípcio de Osíris, que possui todas as características associadas ao processo das iniciações míticas.

Osíris era uma divindade civilizadora - a ele era atribuída a invenção da escrita e o desenvolvimento da agricultura. No mito, seu corpo é despedaçado e espalhado por todo o Egito; em seguida sua esposa Ísis empreende uma longa busca pelos seus pedaços, e reúne-os para que ele gere com ela seu filho Hórus, que irá prosseguir seu trabalho civilizador. Há de se notar que Ísis, além de esposa, era irmã de Osíris, ou seja: a idéia é que os dois, na verdade, eram duas faces distintas de uma mesma pessoa. Osíris representa o aspecto de nossos conhecimentos prévios que hão de ser desfeitos, ao passo que Ísis representa a parte de nós que realiza a busca e a reconstrução.

Note-se, também, que Osíris (o conhecimento), após ser reconstruído, não permanece existindo, mas apenas cumpre a função de gerar em Ísis um novo ser, filho da fusão entre as duas partes. A mensagem, portanto, é: aquele que busca o conhecimento deverá morrer (perder a individualidade, desfazer-se), recolher suas partes através de um árduo e longo trabalho e, por fim, transformar-se em um novo ser, com uma missão a cumprir.

O Significado das Iniciações no Paganismo

O termo iniciação tem sido bastante mal compreendido dentro do paganismo atual. Confunde-se iniciação com "início", e muitos julgam que a iniciação seria uma espécie de cerimônia de admissão em certas vertentes do paganismo. Contrapõe-se a figura do iniciante à do iniciado, o que é correto apenas em parte.

Na realidade, há de se encarar o paganismo, se não como uma religião (já que essa palavra geralmente implica dogma e sistematização), pelo menos como uma forma de manifestação da religiosidade natural do ser humano. Dessa maneira, não faria sentido um ritual específico para que uma pessoa pudesse praticá-lo, da mesma maneira que nenhuma condição é pré-estabelecida para que alguém frequente uma igreja. Por um outro lado, para a maioria das pessoas, adotar essa forma pagã de religiosidade significa romper, de qualquer maneira, com velhos dogmas e sistemas, ou seja: é uma forma de passagem. Já que a própria concepção pagã, como descrevemos no início deste texto, preconiza a marcação das passagens com celebrações específicas, a idéia da existência de uma cerimônia de iniciação (ou várias) estaria portanto justificada.

O que se vê, no entanto, não é isso. A idéia da iniciação, por ser mal compreendida, é comumente descrita como uma espécie de ritual mágico, que pode ser realizado sozinho e que transformaria as pessoas em bruxos. Isso é, pura e simplesmente, uma deturpação da idéia.

O rito de passagem tem suas próprias funções, como vimos: ele marca transições, marca o assumir de novos hábitos e responsabilidades e marca a aceitação de uma pessoa por um determinado grupo. Não se poderia esperar, no entanto, que essas transformações fossem efetivadas sem uma preparação específica. Voltando às sociedades tribais, podemos observar que os jovens, no decorrer de sua vida, são constante e cotidianamente preparados para os momentos de seus ritos de passagem. Apenas como exemplo, o futuro caçador passa por vezes anos acompanhando os grupos de caça, assumindo funções progressivamente mais importantes nesses grupos, até finalmente chegar a abater, sozinho, a sua primeira presa. Quando isso acontece, ele passa pela cerimônia que marca a sua aceitação pelo grupo dos caçadores, tendo provado que é digno de fazer parte desse grupo.

Assim, a idéia de uma cerimônia de iniciação dentro do paganismo, se admitida como necessária, há de ter essas mesmas características. Passar por essa cerimônia significa que o iniciado adquiriu conhecimento e prática, e por isso mesmo tornou-se digno de fazer parte de um grupo. Logo, isso não pode ser nem um ato prévio nem um ato solitário. É incongruente tanto dizer-se que novas atitudes serão assumidas sem que tenhamos nos preparado para isso, quanto nos admitirmos num "grupo" do qual apenas nós fazemos parte.

As Jornadas Iniciáticas

Uma vez compreendido que a iniciação é o resultado de um processo mais ou menos longo de compreensão, conhecimento e prática, que leva a uma mudança de status pessoal por marcar uma mudança de hábitos; que ela é a culminância de um processo e não o processo em si, há de se entender como esse processo se dá.

Um processo de iniciação é um processo de trabalho da personalidade, que envolve, como dissemos, a desconstrução de padrões pré-estabelecidos e a construção de novos padrões, que passarão a nortear a nossa conduta e existência. Vemos uma representação desse processo nos arcanos maiores do tarô: cada um deles representa um passo, um degrau, um conhecimento específico que se deve adquirir, ao longo de um caminho iniciático. Esse caminho é, no tarô, percorrido pelo Louco, que justamente por isso é o arcano sem número, podendo se encontrar, portanto, em qualquer uma das posições, ou estágios do caminho.

O Louco representa a própria desconstrução. Consideramos louco tudo aquilo que não é estruturado, tudo aquilo que é, de certa forma, caótico ou vazio. No entanto, a real estruturação apenas pode surgir do caos; caso contrário, o que se dá é apenas uma reformulação, ou mesmo apenas um ajuste. É emblemática a frase que surge em praticamente todas as cosmogonias, com ligeiras variações: no princípio era o caos.

Uma jornada iniciática não pode partir de preceitos estabelecidos. Muito pelo contrário: ela deve começar justamente pela eliminação de todo e qualquer conceito que possa, de alguma forma, direcionar ou influenciar o caminho de quem se propõe a empreendê-la. Note-se que o Louco se encontra, justamente, à beira do abismo. O próximo passo, que ele já começou a dar, o lançará no desconhecido, sem nenhum ponto de apoio, deixando para trás tudo aquilo que é sólido.

Lançar-se no abismo (domínio do Ar e, portanto, dos inícios) significa, também, mergulhar na própria consciência, ir ao fundo de si mesmo, atirar-se ao fundo do poço de nossa personalidade. Ao atingirmos o fundo do poço, só existe um caminho de saída: para cima. Logo, apenas ao atingi-lo poderemos empreender a escalada; construir, degrau por degrau, a escada que nos levará das profundezas escuras de volta ao Sol, para que possamos, novamente, ver o Mundo.

Esse é, portanto, o teor da jornada iniciática, da qual a cerimônia de iniciação, o rito de passagem, marca simplesmente a culminância do processo. Por isso mesmo, em sua celebração, o rito busca reprisar os episódios da jornada, refazer a desconstrução e reconstrução da personalidade, representar em momentos aquilo que, por vezes, levou anos. No decorrer de nossa vida, podemos passar por diversos processos desse tipo, conscientes ou não, orientados ou não. O final de cada um desses processos é apenas o início do próximo.

Um exemplo disso nos é dado pela própria vida, a grande jornada iniciática em si, que encerra todo o processo cíclico de nascimento, aprendizagem, morte e renascimento. Somos matéria bruta ao nascermos e, ao longo dos anos, adquirimos o conhecimento que nos dá, na velhice, a clara visão do mundo, tão decantada como a sabedoria que surge com a idade. O próximo passo, no entanto, é novamente o mergulho no abismo, no desconhecido.

Os caminhos da Magia Sagrada......

A "magia" é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. Um praticante da Magia sente-se um irmão da humanidade e trabalha magisticamente em benefício dela, não esmorecendo em momento algum e não se deixando abater ante as dificuldades e os infortúnios que visam prová-lo e a desenvolver a boa têmpera, indispensável a todo servo de Deus e instrumento da Sua Lei Maior e da Sua Justiça Divina.Há registros de práticas mágicas em diversas épocas e civilizações. Supõe-se que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça. Adquiriu o ritual de enterrar os mortos. Nomeou as forças da natureza que (provisoriamente) desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito.Os antigos acreditavam no poder dos homens e que através de magia eles poderiam comandar os deuses. Assim, os deuses são, na verdade, os poderes ocultos e latentes na natureza.A prática da magia requer o aprendizado (pelo iniciado, pelo xamã, pelo sacerdote, etc.) de diversas técnicas de autocontrole mental, como ameditação e a visualização. Franz Bardon, proeminente mago do século XX, afirmava que tais exercícios tem como objetivo equilibrar os quatro elementos presentes na psique do mago, condição indispensável para que o praticante pudesse se envolver com energias mais sutis, como a evocação e a invocação de entidades, espíritos e elementais (seres da Natureza), dentro de seu círculo mágico de proteção. Outras práticas mágicas incluem rituais como o de iniciação, o de consagração das armas mágicas, a projeção astral, rituais festivos pagãos de celebração, manipulação de símbolos e outros com objetivos particulares.